quinta-feira, 26 de março de 2015

RAIZ SEM CHÃO

Esqueça os textos
Ninguém os lê inteiro
Procure um anfiteatro
Espreite o espetáculo
Desmanche a despedida
Acorde com os pássaros
Caminhe no raiar do dia
Combine um novo encontro
Medite nos mantras santos
Invente um desejo novo
Pendure os desenhos todos
Traga no peito o norte
E leve consigo o sul

quarta-feira, 25 de março de 2015

O VELHO DA TORRE, O APRENDIZ E O COXO

O velho da torre era sempre incisivo. Aprendia-se tudo com ele. Feliz o aprendiz. Ele havia lhe dito que poderia escolher sentar-se sob uma macieira e sentir o cheiro dos prados ou tomar as rédeas do país e mudar o rumo da história. Era como optar em dormir durante o dia ou durante a noite. Foi então que um coxo que vinha toda semana receber os tratamentos do velho da torre ouvindo a conversa, perguntou: “O que se faz durante a noite acordado sendo que é durante o dia que as coisas funcionam?” O aprendiz já imaginava que seria uma resposta daquelas vinda do velho da torre e sentou-se na cadeira da sala frente a mesa com um lápis na mão e na cabeça as ideias da revolução. O velho da torre disse assim ao coxo: “O tratamento que lhe faço na verdade é de mentira. Os remédios que lhe dou são apenas água e sal. Quem lhe trata é você mesmo ao subir as escadas dessa torre crente que sou eu que lhe curo. A importância de estar ativo à noite é equiparada a estar ativo durante o dia. Bendizer os padeiros. É possível sentir o cheiro dos prados a qualquer hora, tal como a revolução. Se eu fosse até você para levar remédios verdadeiros eu não seria o velho da torre e você não seria um coxo ativo.” O aprendiz escreveu, o coxo mancou e o velho sorriu.

terça-feira, 24 de março de 2015

EXTREMA MENTE

Olho para o céu e vejo andorinhas de manhã bem cedo
Neste mesmo céu quadrado que a tarde voam garças brancas
Cruzam ainda pares de maritacas verdes aos “gritos” altos
Da escada do quintal vejo a tartaruga e sinto o cheiro de café
No cimento poças não secam facilmente quando o sol emburra
Numa chuva de pensares não esqueço nunca a bela dama perto
Tenho azar em espantar quem poderia me aceitar como companhia
Só por causa de uma natureza aberta, bruta e ariana nata
Que revela quanta coisa boa poderia acontecer hoje e já
É por isso que como os pássaros voo longe para ver o mar
Talvez veja naquelas ondas a beleza da rainha Iemanjá
Isto sim é fantasia sustentada em paixão mundana consciente
Porque o mundo é feito de mistérios tão difíceis de explicar

domingo, 22 de março de 2015

DOM KISS HOT E SANTO PANÇA, em... PANÇA ALERTA DORA

(...) Dora Té era muito misteriosa. Poucos se aproximavam dela tentando alguma conversa. Só mesmo Kiss Hot pra gostar daquela figura. E só mesmo aquela figura para mexer com Kiss Hot. Santo Pança por sua vez, ao ver o dramático espetáculo de fora sentia que a história acabaria sem graça se Dora e Dom não se encontrassem novamente. E Pança era casto o suficiente para dedicar-se como escudeiro de seu amigo, ele se satisfazia em acompanhar Kiss Hot. Só que este ainda desertor do cenário, vagava, fazendo vazia, monótona e em tom de despedida essa história. Então, Santo Pança, respirou fundo, puxou a calça pra cima e andou com firmeza em direção à Dora para lhe dizer...

SANTO PANÇA: - Ei, mulher! Você não vê essa ampulheta esvaindo tempo? Desaparecendo grãos de areia? Perdendo dias e noites em silêncio você está como uma pedra que não move. Louca! Em todos os reinos para além dessas planícies até para além do mar salgado, não há ninguém como Dom Kiss Hot. Este que te deseja só pode ser também um louco, Dom Kiss Hot, troca sua vida gloriosa para abrir seu coração diante do pior inimigo, um moinho de vento que é a solidão que você lhe proporciona. Triste você, que perde a chance de lado a lado com ele cruzar terras, céu e mares, procriar e enriquecer com as mais magníficas aventuras cheias de tesouros a descobrir. Porque se Dom sozinho vive, ao seu lado, nós seremos imortais.

(...) Dora Té ouviu Pança mas aquela dura não surtiu grande efeito. Nem mesmo uma resposta. Isso porque Dora Té é uma mulher misteriosa. Talvez ela tenha algum plano, não sabemos. As mulheres têm poderes a mais e confiança a menos.

O TEOR DO QUINTO IMPÉRIO

Qualidade de vida
É estar num espaço eterno
Onde constam teorias
Das mais hábeis práticas
Como um exército novo e imaculado
Que na fronteira do Estado se posiciona
Tem de um lado o centro controlado
E na linha do horizonte o forte é protegido
Onde os partidos se conjugam em uma só corte
E a música é livre como a transpiração do corpo
Não existem loucos, pois, reais atores os salvam das maldades
Como as badaladas expressões previstas nas árvores desta Cidade

sábado, 21 de março de 2015

CRÔNICA: BEM TE VI

Chegara pela avenida por outra ponta
Havia descido um morro antes
Com os primeiros pingos da chuva aliás
Abriguei sob as copas depois do Colégio
Corri para o pé da subida da Igreja
E no primeiro copo de filosofia
Segui como sempre para outras bandas
Até que em uma porta aberta ao meio da avenida
Sorri porque me sorriam imagens
Depois porque ali vi meu álibi
Da pisada no cão, sem maldade
Por destreza, causa exata, minha
Uma certa majestade contente
Só que outra porta mais a frente estava fechada
Com a melhor definição de convite sem sentido
Pois, isso é como chamar e não ser respondido
Ou outra clássica: “Ir para onde não tem nada”
Metáforas são cartilhas rápidas de aprender
Portas abertas cativam mais que elos de cadeado
Vocês precisam ouvir um negro erê de nome Milton Nascimento
Ele diz no canto: “Todo artista tem de ir aonde o povo está”

sexta-feira, 20 de março de 2015

GRANDE QUADRA CELESTE

A Lua que a frente da Terra está no meio vela o anel do astro rei
E a Terra que no romance atômico de um beijo ganho se escondeu
Do Sol que a pele branca doura e a morena torra como amendoim
No Outono que o vento traz o cheiro das folhas velhas pra mim

quinta-feira, 19 de março de 2015

Dom Kiss Hot e Santo Pança em... SÓ O NARRADOR

Dom Kiss Hot não trotava mais. Havia descido do cavalo dias atrás. Passou por um oásis vazio e resolveu deixar a besta solta por lá. Mesmo que sem água algumas sombras de árvores deveriam refrescar. Seguiu como bom cavaleiro andante. Acabou por ver uma espada toda retorcida. Mas não parou. Também viu cinzas de papéis que outrora foram pintados com cores. Ladeou alguns castelos em ruínas. E não parou. Pisou em ossos de leões de antigamente e não encontrou sequer uma flor por onde passou. Depois de andar bastante tempo para frente sem qualquer noção de onde vinha o sol e para onde a lua ia, deparou-se com um rio cristalino. Foi então que teve uma brilhante ideia. Começou a desviar o rio para o rumo de onde vinha. A água que vazou para os campos fez crescer flores lindas. Das ossadas dos leões que pisara juntou-os na mão e peneirou na poça d’água até encontrar um dente canino de felino. Do barro que a água misturada fazia-se à terra fez novos blocos rijos que pilhados comporiam aqueles castelos onde faltariam apenas telhas. Mas isso as palmeiras do oásis agora rico pelo desvio produziria vigas para as pontes que ligassem o sobressalto das paredes. E aquele dente de leão que guardara no bolso foi a peça que afiaria aquela espada que agora esticada retrocedia extensa para compor a companhia de armas junto da sua lança que pousada estava sobre o cavalo que deixara onde novamente o montara naquela sombra onde deixou. Só que Dom não voltou para Dora Té. Ela ainda não o chamara. Havia ido até o rio cristalino sem nada para poder voltar com a ideia de continuar. Agora ele galopa para outro rumo que nem eu sei onde será.

Dom Kiss Hot e Santo Pança em... REALÍSTICO ALUSIVA ILUSÃO

(...) O futuro é uma coisa que no tempo passado já existia, só que não sabíamos.

Pensativo, Pança imaginava onde poderia estar Kiss Hot numa hora dessas. Ao lado dele, muda estava Dora Té bebendo chá enquanto pensava. Até que deixou escapar um se...

Dora Té: - Se eu tivesse corrido antes que ele partisse e dissesse algo menos que o amava...

Santo Pança completou quase em lágrimas: - ...Dom Kiss Hot trocaria nove ilhas do atlântico pelo Rio, ele ficava

(...) E eu, como narrador desta história, completaria:

Garanto que ele ficaria sim
Mesmo que menor que amor
Qualquer manifesto sincero
Valesse presença ativa de união
Sem perder o norte tão forte
Impulsionando o sul tão jovem
Lado a lado com a vida da Dama
Que mais vidas produzissem juntos
Para no ocidente crescente poderem
Apaziguar o oriente poente da destruição

quarta-feira, 18 de março de 2015

CRUZ E ESPADA

Vivo constantemente triste em partir
Versus a feliz liberdade em chegar
Se ainda tivesse uma razão para ficar
Seja uma raiz amorosa ou harmonias
Que me fizessem dormir, largaria o mar
Contentava com as ondas das montanhas
Embrenhava num ofício monótono
Que me daria autonomia de pagar
E estando na matriz viveria em companhia
Construindo a base que assemelha à minha
Porém, como um “Samara Brâmane” (espirituoso)
Não apego a nada nem ninguém, sem querer
Mesmo que me esforce e convide por querer
E procure acumular bens como panos e sons
Estas coisas desvanecem e somem num piscar
Triste por partir porque é como a morte que desfaz
Feliz por chegar porque é como renascer ou acordar
Nesta estrada da vida que não se vê o fim
Porque ao mesmo tempo surgem vias de acesso
Que me conduzem cheio de um bem simples que é ser
Sem alguém ao lado ainda, que me faça melhor todo dia
Quando a vida oscila de propósito para a calmaria impor ser maior ainda

terça-feira, 17 de março de 2015

CRÔNICA: LÁ VAI CHUMBO GROSSO

Um bando de hipócritas pseudo políticos partidários
Ignorantes, acreditam que a suástica representa somente o nazismo
Outros brincam com patologias psicológicas
Zombam de defeitos físicos
Desafiam para encontrar a cor? Está no sangue, ora essa!
Ouve-se a frase: “Pouco importa”
Não filtram o teor nem a essência das palavras
Enquanto se importam com “likes” diários
É claro que é direito o manifesto
Não está em causa poder fazê-lo
Isto já foi resolvido noutra época. É quase uma “cera” democrática
O fato é que manifestos acorrem quando há malefícios ao povo
Quando cheguei na estação estava cansado e barbudo
Um moleque que comia biscoito “chulézinho” sentou ao meu lado
Ele me pediu para baixar os preços das coisas
De certa forma foi um manifesto. O que me senti culpado
Ainda tive tempo de lhe contar histórias de além-mar
Hoje, eu penso na razão que aquele menino tinha
Penso ainda se ele bebe, toma banho, brinca, come e estuda

segunda-feira, 16 de março de 2015

ESTE É O CLUBE SOCIAL DE CATAGUASES

O último ato antes da maresia
Como um movimento próprio
Por escutar os ecos das audições
Imaginando as festas de outrora
A fim de salvar a arte modernista
Para a exposição é preciso arrumar o chão
Subir escadas, levar quem não anda ao colo
Admirar as curvas dos salões envidraçados
Dar vida ao pássaro que sobrevoa o cinema
E olhar do terceiro andar no parapeito a praça

http://expocoresabstrato.blogspot.com.br/

MAGNÍFICO DESEJÁVEL

Conheço Portugal bem na palma da minha mão
Mas estou aqui em Vera Cruz de Portugal
Tenho duas cartas tão importantes que mudariam a história
Nesta pirâmide como Babel que cresce derrubando pau Brasil
Falo do Clero e das Forças Armadas como soluções
Costumo dizer que são a Pena e a Espada
Vocês esperam mesmo Dom Sebastião?
Ora, façamos um!
Sem efeitos especiais para não desconcentrar
Quem o criaria? O Clero e a Armada, juntos
Porque no que resta desta faixa piramidal
Um foge da maldade, eis o Clero
Outra combate a maldade, eis a Armada
Logo, ambas são os melhores para definir “quem”
A outra carta também envolve o Clero e a Armada
Mas quem? Queremos saber, quem?
Calma, vejam bem
O terceiro segredo de Fátima
Seria hora de dizer que o terceiro segredo de Fátima é...
Pois! Revelar Dom Sebá, já!
Onde toma as rédeas do poder sobre o território
Na suprema totalidade provinda da divina e forte providência
Com o Clero a confirmar os dotes
E a Armada a proteger os dotes
Será um peso enorme para quem carregar
Quem? Eu? Com o Clero e a Armada...
De acordo
Digam ao PAPA, ele também é um revolucionário
Digam a todos os irmãos Lusos
Quando refiro ao Quinto Império
Vejo mais da metade do Mapa Mundi num Todo
Desejável e magnífico para todos
***
*****

domingo, 15 de março de 2015

DOM KISS HOT E SANTO PANÇA em... ELE TE PROCUROU

(...) Santo Pança vai correndo dizer à Dora Té o que ela deixou escapar...

Santo Pança diz:
“Ele preparava um jardim imenso para que as crianças brincassem enquanto vocês caminhassem. Tinha ido de encontro à rainha do mar para poder pedi-la a última pérola do seu colar. Em todo pensamento que ele tinha durante as guerras, me revelou ele, era a sua imagem que ele lembrava dando-lhe ânimo para as vitórias. Eu mesmo o vi escapar ileso de arremessos e ataques vindos do exército malicioso. Certo dia ele também me disse que a levaria para outra terra ou trocaria o castelo para morar dentro de um moinho de vento se você assim quisesse. Mas como um ciclone, Dora Té, você soprou no ouvido do Dom a pior incerteza da união. E agora, neste instante, ele monta o seu cavalo para ir nem sei para onde, por sentir que seus esforços fracassaram. Ele te procurou tantas vezes, em vão”

Dora Té: - Mas ele não é um cavaleiro andante?

Santo Pança: - Sim. Ele também é. Suas últimas palavras foram sobre isso.

Dom Kiss Hot disse a Santo Pança o seguinte:
“Vou a cavalo para poder fugir bem rápido desta triste sensação
Mas a cavalo estando, volto, logo quando a Dora Té reanimar meu coração”

sábado, 14 de março de 2015

ATÉ O FIM

A máquina é velha
Derrama por sobre a mesa
Só possui uma preocupação essencial
A substância que a move
Sem saber se para frente ou para trás
As mulheres têm medo do meu rosto
Este não é o primeiro desgosto
Nem tenho pena do meu destino
Alguém que gosta da terra
Enquanto o navio vara o horizonte
O olhar permanece constante antes que suma
Mesmo que não veja por décadas
Estará sempre à espera da bela que o rejeitou

sexta-feira, 13 de março de 2015

.T. EMPÓRIAUM .T. ALL

Ponte que de pedra liga
Pronta seda exuberante
No espaço consta o uno
Vasto como a existência
Plenitude reina em ser
Máximo, abstrato, móvel
Pertencente a este solo
D´ouro e bruta riqueza
Extenso, como letras
E campos onde as realezas
Vivem de fato estadas
Espaços, quadros, congelados
Esquadrinhado e coloridos
Juntamente com a aurora
Que ilumine o novo
Certo, oriente
Este Rosa Cruz
SANTIAGO

A PEÇA DOS TEATROS

Diálogo entre Pança e Kiss Hot: 
*
Dom Kiss Hot seria o que argumenta
E Pança numa bela atuação o que afirma
Dom Kiss Hot lança o tempo
Santo Pança segue louco rei
Onde Pança é mestre por responder
E Dom Kiss Hot como peça peca por esperar
Mas a Dora Té na plateia sabe
Deste membro que age pleno
Só por ela e também por todos
Ri, ao devorar o todo, sobre todos
O QUINTO IMPÉRIO

quinta-feira, 12 de março de 2015

REVERÊNCIA

Levantei-me mais uma vez no meio da madrugada
Espiando a greta da porta corrente modernista espelhada
Para ver se a chuva outra vez viera e se o cavalo pastava na praça
Com sorte, na proximidade de acertar em cheio a Quina do brasão
Quando três pontos já me bastam para Imperar por décadas
Sendo que assento numa cadeira em meio à mata atlântica
Onde os raios dos relâmpagos dos trovões mudos estão
Aguardando a hora certa de a consorte dar-me a sua mão
Contentando-me por poder ser o braço de cartas que rodam o Mundo
Sem qualquer efeito imediato, mas resguardado do vulcão em erupção

terça-feira, 10 de março de 2015

MEIA VOLTA, VOLVER!

PARA ONDE ENVIAMOS ESTA CORRESPONDÊNCIA?
E QUANTOS DIAS PARA CHEGAR?

A revolução precisa ser escrita hoje
Para que haja menos barulho em vão
Ela precisa ser lida, entendida e em seguida
Deve rezar no seu decorrer a modificação
A revolução precisa ser mais bem discutida
É preciso de escudos e as armas da justiça
É preciso amor pela glorificação da nação
Ela já foi gritada pelo Clero com expressão
Agora, providencie um dia para a Companhia
Limpar por completo o Palácio da indignação
E recomeçar a história com o peso da união

PONTAPÉ NO OLHO DE CAMÕES

Dada a largada, até o mar chega aqui
Mas nem um sinal de ti que um dia vi ali
Mesmo que a luneta a terra aviste
Se a barreira invisível for só medo
Melhor, que a negação por não querer
Abafado, sinto falta do frescor de longe
Nem sei quando o vapor sairá pela boca
Só sei que enquanto isso conquisto o aquário
Antes de expor mais um relicário extraordinário
Num quarto que só é vazio por vazar tanto amor

domingo, 8 de março de 2015

ROMANCE COM A TERRA PARA SITA

***
É aquilo que se vive agora
Nas passadas abstratas da vida
De um encontro como milhares
Pois a chuva que abençoa é nossa
Toda prosa tem uma máxima de amor
Nós, viventes estamos no Estado das ações
Quem vive, cria e participa da criação, lógica!
Fala, com exímia tônica
Bebe de uma fonte limpa
E ainda, sempre e próprio
Extasiado de atmosfera
***

sexta-feira, 6 de março de 2015

WAITING...

A vida é uma sequência ora fácil, ora difícil
Comparamos a vida a uma roda gigante
Ou a uma estrada plana ou acidentada
Nós estamos no meio disso tudo pois estamos vivos
Depois das fotos de Santiago serão as fotos da Dinamarca
Tenho planos para cobrir paredes inteiras com mosaicos
Penso mais em estar presente e produtivo com artifícios
Sou tranquilo porque consulados e embaixadas me entendem
Adiantei ideias mirabolantes e com certeza irão se alegrar
Aguardo respostas de um comitê e de um selecionador
E também procuro a companheira porque livre estou
Tudo indica que irei zarpar contigo dentro do meu coração
E pode acreditar que te chamarei mais vezes e te darei a mão

RESENHA

Vou te revelando meus passos até chegar
No mapa astral consta sempre ontem e hoje
O amanhã nunca é revelado, mas está lá
A língua portuguesa tem intimidade com os verbos
Uma mania de criar palavras e com isso expandir
E explicar o conceito de uma coisa com um Festival
Que é a reunião ativa e simultânea de variados ofícios
Por exemplo 10 bandas musicais e outros atos mais
Porque a moeda que o trem pisou tem a marca do ouro
Enquanto as ondas na praia ressacam os agitos do mar
A lua cheia e o sol no espaço distante tinge os fios de Iaiá

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA?

Lá eu já sei o que há, pois, eu sou o próprio
Lá eu comungo de domingo a domingo (pão e vinho)
Aqui, exatamente aqui, eu vivo e não gasto vidas
Eu diria no plural que aqui há mulheres lindas
Florestas ricas, nascentes protegidas, casarios de amigos
Até ficaria, se o singular da feminina me prendesse
E se as manchas florestais fossem somente de espécies
Os rios pelo menos no início fossem bebíveis e comíveis
Se os “irmãos” fossem mais amigos, digo, todos fossem amigos
Acontece que aqui não vale ser extenso, pois preguiçam
Não se descansa no meio da subida da escada, pois competem
E conceito de trabalho está intocavelmente definido
Isso me deixa pensativo o que me torna um trabalhador prodígio
Tudo por causa da síndrome dos status que atropelam o progresso
Mesmo assim, não me vou embora pra Pasárgada agora
Ainda falta um sono mais no degrau que leva à cama que ganhei
Ainda falta algumas obras, mais que estêncil a cores, nas paredes por aí
Ainda falta um beijo doce que me deixe leve para carregá-la ao mar
E pios dos pássaros, histerias nas praças, shows ao vivo, ver jogo, falta a taça...

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

O CAVALEIRO E O PEREGRINO

Eles são quase espelho um do outro
Um é mais velho o outro é mais novo
Uma das diferenças é que a cadeira de um se ajusta
A cadeira do outro está fixa enquanto ele se move
O mais velho tem moedas novas
O mais novo tem moedas velhas
O mais novo conduziu o mais velho no ombro
O mais velho enviou o mais novo para longe
Ambos são críticos da atual situação desmilinguida da arte
Enquanto o cavaleiro compara palavras ao ar
O peregrino compara os símbolos a bibliotecas
Por isso se encontram para resgatarem o passado majestoso
Eles são fortes quando afunilam os desenhos do presente
Dentro de casarões com fantasmas pacíficos de cores
Um é cavaleiro, cavalga, levanta cruzeiros, ensina, é nobre
Outro é peregrino, caminha, navega, aprende mesmo descalço

domingo, 22 de fevereiro de 2015

CASTELO DE AREIA

Pode ficar com o arroz e o feijão
São leões que vivem só de carne
Depois de salvo essas engordas são stocks
Para outras próximas e breves despedidas
Quando acordo, tenho calor de cozer o pão
Distante, pulsa meu sangue em outro coração
Atente-se a hora do seu trabalho nobre
Pratique a base do seu diploma diário
Cuide muito bem do que há sob suas asas
Mas cuidado com o escape dos palavrões
Principalmente os CRIMES dessa juventude
Que nem defesa terá quando a fachada ruir
Porque quando seus lábios branqueiam de medo
É sinal que meus pelos arrepiam e os espectadores calam
Só de olhar vai embora porque teme a humildade
Então toda imagem sorridente perde a cor revelada
Este é o fracasso da passiva infelicidade de quem sabe

sábado, 21 de fevereiro de 2015

CAPE COLD CARNAL

Depois daquelas serras, o mar
Além daquele mar, a mesma terra
Todo valor do sal tem todo calor do sol
Correntes aquáticas do oceano atlântico
Deleitam nas ondas da rosa dos ventos

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

MERGULHÃO

Uma rede sem fios
Campesinos escaldados
Muitos peixes no fundo
Pescam e voam os do topo
*
A estrada tem serras
E no céu água acumulada
Meu navio não navega
Óh Dona da âncora, impeça!
*
Mas o calendário comanda a ordem
Qual o fogo do pirão na panela grande
Cada dia que passa, mais perto do cetro
Só por causa do tremular das bandeiras
*
Estas quadras do Império
Faz mistérios revelados
Tem o calor de um abraço
E as areias da Fundação

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

PACIÊNCIA DE JÔ

O esforço simples por ser ato tem de fato um sentido lógico
A caminhada
Mesmo que o calçado descolado testa o passo agora
E em meio enluarado por um brilho doce eterno como o efeito do éter
Permanece essa trajetória valorosa qual a vossas vidas comparadas às estradas

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

REINO QUINTO

Eu tenho um quadro negro extensivo ao alto
Que situa bem acima e além do meu olhar distante
Hoje à noite bem no canto uma estrela me guiava
Ontem a mesma estrela no centro móvel estava
Esse é o quadro que ao longe pinta o tempo mutável
É por isso que me esqueço dos adornos do meu corpo
Pois se quero um quadro novo logo o tenho de imediato
Fecho os olhos num instante e no escuro encontro a alma
Com salpicos luminosos que preenchem todo o quadro
Qual estrelas que me guiam só com luzes sem seus núcleos
E com isso ganho o Mundo no estalo escondido num segundo
Que passou sem ser notado mas gravado está no céu eterno

CARNAVAL

Sempre tem gente
Que foge da gente
Que abraça a gente
Tem sons que imitam
O batuque do samba
Tem copos cheios
Com cheiros de cana
Tem máscaras claras
E máscaras escuras
Mas falta uma coisa
É o fogo da providência
Como o de São João
Onde beldades se doam
Entregam seus passos
Sobre o Paço que impera
Sedentas por êxtases
Dos sonhos lembrados
Expõem-se ao tempo
Sem perder o amanhã
É tempo da gente se ver
E ter essa chama da vida
Esqueça o brilho do aro
Concentre no desejo intocável
Que só é para quem não crer

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

OUTRA VEZ E OUTRA VEZ

Redação é o ato de escrever como bem reza o dicionário
Eu digo que é uma forma de revelar paisagens e personagens
Porque as formas e as sensações são expressas em gravações
Mesmo para quem não vê com dedos toque o braile e leia
Mesmo sem as mãos consiga redigir com superação inversa
Mesmo quem não vê, escreve, por interna intuição misteriosa
É uma ação primordial, essencial, ainda em evolução
Está muito longe da extinção por falta de executores
Pois até pegadas podem ser uma edição de trajetória
Textos podem ser simples ou complexos entendimentos
Curtos ou longos, entre outras dualidades e extremos
Realismo ou ficção, entre outras categorias e estilos
Porém a reedição significa algo mais para alguém específico
É a tentativa de resgate da emoção consequente da leitura
Sobre o que continua sempre acesso no coração do escritor

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

MESTRE E APRENDIZ

- Você viu o jornal. Só pode. Porque está aí agora quieto, pensando baixo.
- Sim, mas antes vi o jogo. Depois fiz um esboço. E só depois vi o jornal.
- Qual?
- O da TV.
- O que passou?
- Gols, mapas, pontes quebradas, água jorrando, petróleo escondido e outras séries de coisas.
- Ouvi dizer que os estudantes mais viajam do que estudam. É verdade?
- É assim: Quem vai daqui para Europa, por exemplo, ainda encontra algumas fronteiras abertas, então conjugam as mensalidades bonificadas ao calendário maleável. Os meios de transportes são relativamente baratos. Uma maquininha para atualizar o status e já está! Ó, uma beleza para agradar o índice do gráfico das capacitações no exterior. Mas não fica por aqui essa fama. Quem é de lá também faz o mesmo.
- Hum... Por que não vai para a praia então!?
- Sim, eu vou.
- Quando lá chegar faça o que lhe digo. Vá até ao spray (espuma) das ondas, pegue 10 conchas ou pedrinhas, respire fundo e lance uma por uma o mais longe que puder em direção ao mar. Veja bem se não tem alguém à frente, heim! Isto servirá para tirar o peso que você carrega.
- E depois posso pular do alto da pedra para dentro do mar?
- Sim, mas como você estará bem leve, cuidado para não voar.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

PRODUÇÃO DE TEXTO

Movimento Verde
Tragam-me papéis para a Revista
E tintas, pois há páginas ilustradas
Chegará a todos os países

“A OLIVEIRA DO MAGO
SE ESTÉRIL DESCRENTE
SE AZEITONAS CRENTE”

Título: FRAGMENTO (Isto não é um diário)

A noite passada conversei com um amigo de infância que esteve em outro espaço durante 7 dias. Alguns poderiam pensar que morou na casa da morte mas ele estava mesmo em coma. Eu fazia parte do círculo de orações para emanar energias que chegassem ao local onde ele estava com intuito de salvá-lo. O que deu certo, creio que porque assim Deus quis ou porque os Hospitalários o remediaram para voltar para este espaço. Depois não choveu sobre as pessoas que pagavam o que gastavam. Eu somente consumia, tudo, desde a euforia dos que me desejavam bem ou mal como a contenção dos que nem bem nem mal me faziam. Fui até a ponte mas a cancela estava fechada. Bem que eu podia passar por cima ou por baixo, mas teria o risco de cair dentro d`água. Então voltei para casa e dormi. Ou não dormi? O certo é que despertei com a certeza que tinha uma chance para refazer uma parte do passado. Podia optar em voltar à época de busca por uma amante, isto é, eu precisava experimentar para saber qual era “A”. Ou podia voltar ao momento em que não podia deixar cair aquela torre que eu e minha filha construíamos na sala das cores. Notei que minha mochila, velha de guerra, já estava arrumada no canto do quarto e eu com os olhos cheios de água já sentia saudades dos meus entes sanguíneos. Então, de frente para a praça abri a porta da casa modernista ao correr a porta envidraçada para ver se o cavalo branco pastava na grama onde se encontra um busto. E quando fui dar um passo adiante para monta-lo vi que estava descalço e sem casaco. Mesmo que o destino fosse a linha do Equador não sobreviveria aos percalços até à estação do salto. Seria um índio? Louco? Ou nu? Por fim eu voltei para dentro, abri a gaiola dos pássaros, furei o aquário dos peixes, empurrei a janela dos fundos e ali no quintal, na minha frente, encontrei o presente. De dia é o palco do treino da vida e de noite é o campo de estrelas cadentes. 

(...)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

THIS IS A SONG

Tenho 15 folhas das árvores d`loureiros verdes
Equivalem à entrada do festejo cotidiano
E um quadro em mesa transparente já pronto
Mais, a desconexão dos instrumentos guardados
E a quebra dos argumentos que impedem as tentativas
Na verdade tenho mais que 15 folhas das árvores
Tenho um Paço tão luminoso quanto o sol
Que se vê ao meio dia o céu se contentar com uma cor
Despojado sobre ouro líquido que alucina
Dentro de uma mata que muita vida abunda
Onde entra quem reconhece o dote dos sábios
Pois sabedor da diferença de silêncio e palavras
É pretexto que musica a língua do Dom que age
Assim passeiam os que respiram liberdade
Tendo consigo autoconhecimento, tem mais tempo
Carrega tranquilo e ileso a chave que livra do apego
Mesmo que a terra trema e o ar sucumba
Mesmo que a água inunde e o fogo emerja
Fica sempre à vista, seja uma ruína com paredes sem tetos
Que em conjunto do tempo e da Bela se faz o aconchego à prole
Seja em cantos do espaço e nas quinas do terreno
Sempre em meio, arrebatado, cheio, de intenso sabor da existência

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

DECLARAÇÃO

Quando assento e sinto o vento
Vejo um quadro com uma estrada
Essa estrada está murada, tanto em pedra como em árvores
Tem um caminho estreito como um labirinto
Equipara-se a uma janela aberta sem abas
Ou o mar tranquilo sem tormenta, navegável
É que o vento vem de longe num sopro frio
Depois segue mais robusto por levar meus pensamentos
Diz a sacra profecia que um dia o mundo acaba
Antes disso a humanidade ilumina-se e degrada-se
Só queria conhecer quem murou as margens dessa estrada
E saber por que no vento vêm saudades e seguem verdades
Penso nos Patrícios que passaram as tormentas monstruosas
E chegaram justamente onde passa essa estrada frutificada
Creio que o registro deste feito antepassado inesquecível
Tenha confirmado que a terra é o quintal da casa
E as vias só protegem o peregrino dentre os muros
Pois sem eles ultrapassaria para além das margens
Se assim fosse o vento não o encontraria eternamente
Não haveria mensageiros que trouxessem ou levassem nada
As janelas teriam abas para que fossem fechadas
E as tormentas não se inquietavam pois estava em pé, no mar

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

PARA A DÓCIL MINHA CAPA É A COR DA GLÓRIA

Estou a milhas, longe, fora da nave e dentro de um vale 
Mesmo que não tenha embarcado e ainda em Minas
Eu não sei o que sente neste pouco tempo intenso
Nem o que passou em outros tempos da sua história
Qual é o lado da balança que o peso pende ontem e hoje
Não sei se a liberdade te aproxima de mim realmente
Ou se as lembranças te mostram intocável aos espectadores
Mas sei a cor dos seus olhos e o destino do seu voo ao oriente
E isso é suficiente para eu permanecer crente e amoroso sempre

KARMA LEÃO

Por favor, não se assuste. Coragem
Eu chego sempre assim, sem medo
Cresci em parte num arquipélago atlântico
Onde naveguei alguns bons dias estudando a vida
Mas aprendi mais com o fogo magmático do núcleo
Que os demônios não vivem no inferno profundo
Nem os anjos chegam voando com harpas do espaço
Noutra parte do seu susto por minha ausência por década
Caminhei livre, solto e residi em muitas casas linguísticas distintas
Onde sons, pinturas e falas revelaram minha identidade mística
Como você ou qualquer outro nascido eu tenho um destino
Esses mesmos que agora a pausa nos comprova estarem conectados
Mas amanhã é outra história porque os corpos se separam
A não ser que no seu karma haja uma cama como a minha
Que começa com o sol nascente, traça e estende-se até o poente
Quer dizer que o tapete que estamos tem na ponta leste a luz do oriente
E no centro, reunidas belas presas de leões e ferramentas das estrelas
Mas no ocidente tem um globo novo, nosso, que gira movido a esperança

COM TODA PAZ BATENTE

Existem muitas formas teóricas e práticas de escudo
Existe um triângulo com um olho dentro e raios ao lado
Por manuseio e conhecimento este é um escudo revelado
Na verdade é um espelho que esbugalha o globo ocular do oponente
De onde escorre toda maldade existente fulminada num instante
Estático, o espelho atua instantâneo ao malefício tentado
Seja pensado ou falado e mesmo que inconsciente esteja
O escudo rebate como a ciência do reflexo, em relance
Àqueles que correm a vista com desdém: De onde vem o forasteiro?
Pra onde vai é de onde vem e essa é a pulga que inquieta tanto
Os que falam baixo sobre o sapato raso e o pano surrado
Veio do fio da terra e do couro do gado no campo minado que não desarma
Este escudo triangulado é fixado a frente da pedra angular dos Templos
Não tem alcance para quem o mal produz, nem escadas, nem arremessos
Porque o escudo provém das mãos do bem que hasteia a bandeira da vitória

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

CONTOS DA BOA LIS

TONTA

A burrinha empolgada
Corria toda empinada
Lá no norte com o sul já sonhava
Mas no meio do caminho, coitada!
Ficou entalada na porta de entrada
Não porque era fofinha ou arrebitada
Nem a porta estava semifechada
Ela era uma burrinha magrinha
Sozinha bem que passava com folga
Só que com o hippo ela estava, burrada!
Com isso o porto do mar ela não mais desbravava
Mal sabia que o lobo chegaria naquele rio
Onde a sua porta deveria estar destrancada
Salvaria - talvez - a burrinha entalada
Mas primeiro de tudo cruzar aquela praça cruzada
Passar pela porta de arco enfeitada
Andar pelas ruas de casarões imponentes
Subir a estrada que leva ao castelo mais alto
E de lá ver o plano que fez a burrinha da história
Ser só peça de xadrez ou invés do zoológico
O que de fato alegraria o Marquês
E o hippo podia ficar onde estava
Afinal as elefantas do Infante já o namoravam
E as crianças contentes assim o admiravam

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

REJEISIM

Relativa é a obstrução
De idade, de geografia
De corpo que absorto
Com todo cuidado cresce
Mesmo que atrase a pressa
O cheiro da chuva engana
Porque é poeira que levanta
Do chão da gente plebe
A mesma gente que pede
É a mesma gente que compra
Só porque o sim alavanca
O campo aberto de devaneios
A idade madura não chora
Quando a cidade é aqui bem perto
Toda roupa esconde a pele
Mas a tribo do abraço impulsiona
Essa sina por um beijo que explode
Essa água inodora que bem serve
Para produzir a liga da arte do artista
Que não vende esse pote por nada
Quando doa palavras e depois vai embora

domingo, 1 de fevereiro de 2015

TRÍPLICE DO TEMPO

Vai acontecer que eu vou voltar
Vai acontecer que eu vou contar
Vai acontecer que eu vou te ver
Acontece que cá estou ainda
Acontece que escrevo a criação
Acontece que te vejo na imaginação
Foi quando as nuvens altas desceram
Foi por causa da importância da história
Foi o pulso certo que imortalizou o coração

sábado, 31 de janeiro de 2015

PENSA NA PENA QUE O JUIZ DARÁ

Como é que não sabe o meu nome
Mas sabe que eu era “casado” de sangue?
Como é que as flores do Hawaii chegam a Copacabana
Se estes mares são de oceanos distantes?
Como é que se come e se bebe e se dorme
E mesmo que doa, ainda reclama?
Como é que se toca instrumentos da banda
Se os que ouvem não prezam o maestro regente que encanta?
Como é que se vive com medo da morte pedindo arrego
Se a morte anseia trazer nova vida aos derradeiros?
Como é que as medalhas que eu ganho
Vão parar em seu peito?
Em outros tempos os maldosos queimavam pensamentos destes
E expulsavam os Jesuítas que guardavam tesouros do degredo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O SOM DO MARTELO

Quisera eu ter inexistido agora que a tormenta mexe o calmo azeite do oceano. Diante desse calor do inferno por causa dos impactos provindos dos gastos e excessos absurdos da população humana. Sedentos por pecinhas de circulações em mãos impuras que fazem compras alimentares para o próprio ego. Revoltado, não trabalho como Chaplin só porque precisam de domar padrões. Não se domam os leões, nem os ursos, nem os lobos, nem as águias, nada que é selvagem. Os domados pagam por suas maldições. Logo eu que em silêncio estruturo as bases das construções físicas, desde o teto ao chão e as letras que essa massa toda em falta de conjugações de educação usam sem qualquer gratidão. Ora penso que devia ter um Estado bem fundado dentro da lagoa de um vulcão. Onde o barco é um bem necessário para recolher pescados e alimentar o corpo que aviva o grito, para que um raio caia, ou o próprio vulcão expluda, num instante uma espada surja, tudo tão abrupto porque a natureza chora quando se acalma. Se ainda vivesse a 200 anos no passado, com roupas de linho, andando em calçadas de pé de moleque, ouvindo os cascos dos cavalos, mais preso que os escravos, assumiria ser um iluminista, renascentista, revolucionário, barbado, amante, descobridor de pedras preciosas, bebedor de águas límpidas e um poeta suicida por conter no fardo um conceito tão pesado como a ira chamado amor.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

FAROL

Oh, como pode? Eu
Te querer, ainda que pobre, eu
Contente por querer-te presente, seu
Se não me quis quando nobre, eu
Mirado por todo o povo, estátuas e eu
Me diz se fiz algum sinal contrário, eu
Para atracar o navio no porto ao lado, dela
Eu cheguei do alto mar ao litoral, nosso
Desci do meu navio ileso, mareado, eu
Para caminhar a beira rio, Douro, nosso
E ainda caminho sozinho de Forte em Forte, forte
Com resquícios das noites da Invicta fria, iluminado
Mergulhado num mar imaginário, quente
Só por pensar em te amar para sempre, sempre

O MEU APOIO É O SEU PILAR

Eu preciso vencer a noite
Eu preciso de locomoção
Interna, externa, aérea, aquática
Locomotiva, mística ou só paixão
Por uma linda maravilha na mesma estrada
Equilibrando e renascendo ao mesmo tempo
Porque é bom ter o horizonte sempre aberto
É como dormir bem e acordar melhor ainda
(Ainda não é o meu caso)
Mas caso eu "case" com a certa parte então será bom
Será uma conjugação de beleza vasta e artes natas
Que vai de ofícios nobres à fundamental religião natural das coisas
É fácil acreditar que estes itens guiam a organização
Creio que há pessoas tão corretas propriamente para elas
Que por onde passam suspiram aspirantes de emoção
E se permanecem surgem virgens florestais, brota o sol no mar sem fim
As histórias por viver ainda comporiam vibrantes canções
É por isso que a Turquia, o Egito ou Japão são daqui, logo ali, e sempre serão
Mas se eu quiser levar-te a Vênus ou Marte, preciso que me dê a sua mão

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

FABRICA

Eu tenho um irmão nos olhos
Outro na pronunciação
E tenho uma joia de irmã no coração
Mas falante era o velho do tabaco forte
Peão fumo de rolo guerreiro
Disse que se eu levantasse voo hoje, caia
Subia e caia, pois, em sua cabeça e ria
Mas eu não morria
Porque iria ver a Dona
Por isso comece já
Seu Pai Nosso e sua Ave Maria

ESTE É O ÊXODO DO GÊNESE

CONTO EVOLUTIVO
DO VELHO DA TORRE
QUE BEIJOU A LUA
... Havia um homem
Que com sementes
Caminhou e navegou
Subiu montanhas
Pisou vulcões de fogo
E no gelo resguardou a descendência
Este mesmo homem
Fez sons ao soprar madeiras
Devastou pragas inteiras
E nos bosques pedras verdes encontrou
Hoje esse homem vive
Na memória dos que miram sua luz
Pois sequência tem o homem transcendente
Pelo surgimento de toda a base
Todo espaço, existente...
REAL PROGRESSO DITO
DE ONDE SE É REI
ILUMINANDO O NOVO MUNDO

http://youtu.be/XV39HVz-oMY

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

NÃO DURMO

Nem que a vaca tussa
Nem que a insônia morra
Nem que o meteoro caia
Nem que o relógio pare
Mesmo que dormente o corpo todo
Mesmo que a “pelada” canse o fôlego
Mesmo que copie o céu de estrelas
Mesmo que o alho e óleo fritem a carne
Mesmo que as preces reze e os mantras cante
Nem que espere a Dama demonstrar vontade
Mesmo que continue a noite toda nestas frases
Bendita vida que me dá o mapa planisfério
E no globo hemisférios, meridianos e paralelos
Que me alerta donde vem os quatro ventos poderosos
Que me faz desperto para descobrir a rosa mística d´alma

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

AÇÃO TEM TEMPO CERTO

TRECHO DE: DOM KISS HOT E SANTO PANÇA

(...) Tudo que aprendeu lá dentro aconteceu no decorrer de trinta dias e não aprendeu sozinho como imaginava. Quando lá chegou o Prior deu-lhe uma túnica e disse-lhe sorrindo que não havia bolsos. O Prior sabia quem ele era. A comida era farta e o prior confessou que a comida era assim tão boa porque a terra sagrada era trabalhada. No fim do jantar, o Prior perguntou a Dom se ele sabia o que era união e sem deixar que ele respondesse sim ou não começou logo o sermão:
“...União é a participação contributiva de todos os elos. Os Franciscanos estão unidos porque renunciam às riquezas. Um colar completo é união, mas se alguma banda se solta, o conjunto no pescoço torna-se vão. O exército marcha pra frente, mas se há um soldado contrário é confusão. Artistas que dançam somente dançam. Artistas que pintam somente pintam. Artistas que escrevem somente escrevem. Mas homens que criam incitam a união. Qualquer desacordo é desunião...”

PANÇA: - Então Dom, como foi essa experiência?

DKH: - Havia 30 monges. No primeiro dia o Prior me disse sobre união. E a cada dia seguinte um monge me acompanhava com conselhos e sermões. Cada monge me dizia algo diferente sobre minhas funções. Parecia que todos eles sabiam quem eu era. No último dia, o Prior me disse para unir tudo, enfim, fazer a união.

DORA TÉ: - No primeiro dia eu te encontrei no silêncio. Mas recorri a três potes de uvas pisadas. Você bebia vinho num copo de madeira e eu sentia o efeito de uma marcha avante com você a frente a segurar um colar completo que envolveu meu coração.

AS DOAÇÕES DE PANÇA E O PORRE DE DORA TÉ

TRECHO DE: DOM KISS HOT E SANTO PANÇA

(...) Pança, para acelerar o processo que Dom lhe pedira, sobre secar as pipas de vinho, contou com a ajuda de Dora, porém fizeram em parte batota. Pança, não bebeu mais que uma garrafa e depois pensou: “Ora, se o Dom está no mosteiro franciscano...” Eureka! “Vou doar estes litros todos!”. Dora Té, tentando entender como encontrar o silêncio para falar com Dom, bebeu três garrafas, sozinha, ficou sonolenta e quietinha até se recolher para um sono profundo. Assim encontrava o silêncio e esperava falar com Kiss Hot.

A ORDEM FRANCISCANA E A CURA DA LOUCURA

TRECHO DE: DOM KISS HOT E SANTO PANÇA
(...) Dom Kiss Hot como sabem é um imortal conjunto raro e único de personagens. Sem contar seu jeito largado, cabelos esvoaçados e passos ora lentos, ora rápidos, Dom Kiss Hot tem dois pontos cruciais, aliás, como quase todos os mortais. A cabeça é uma ampulheta de ventanias e o coração um turbilhão de ápices. Na verdade, Dom é um misto de complexidade a procura do núcleo inicial de todas as coisas que é a simplicidade.
PANÇA: - Por que queres enclausurar-te neste mosteiro, Dom? E as conquistas dos moinhos mais longínquos? E as batalhas com as ovelhas negras? E a Dora Té que tanto amas? E eu? O que farei eu neste tempo todo?
DKH: - Vou prender-me. Só. Passar um tempo só fará com que eu viva um jeito diferente da multiplicidade. Isto me fará mais forte para regressar. Confie em mim. Então diga a Dora Té que procure encontrar o silêncio quando quiser falar comigo e quanto a você, segure aqui este escudo e essa lança, dê meia volta e só volte quando as pipas de vinho secar.
NO PRÓXIMO CAPÍTULO...
AS DOAÇÕES DE PANÇA E O PORRE DE DORA TÉ

domingo, 25 de janeiro de 2015

UM APENAS

Três quintos do tempo depois do descobrimento o Imperador Dom Pedro entregava ao povo todo o terreno. Aquele caipira que ouvira o grito do monarca às margens do rio limpo dissera que viveria para além do seu sustento, tudo por causa do sentimento extasiado do seu patriarca. O povo multiplicou-se e a coroa dividiu entre dois países com arcas perdidas e monos nas árvores. O tataraneto do caipira que por herança traz hoje um metro quadrado de espaço, também traz a moda do seu tataravô. Olhando para cima ele vê o mesmo céu e o mesmo sol que as sojas em abundancia debandam ao litoral. Dali elas escorrem qual ouro e diamante, qual carros que chegam em naves navegantes. Porém ele olha para o rio e o rio não é mais limpo. O rio do grito sequer tem vida num fio d`água. Com efeito, e por justiça o grito magnífico de tão bravio e incisivo não terá efeito só no leite e no café, pois não? Há uma cidade que é um avião, isso envolve uma mistura peculiar com erva mate, garras, linhas e visão. Este hangar que só existe pelo grito, deixa indignada qualquer parte marginal dos participantes daquele passado acontecido. Porque com um Quinto, com o eco do grito e com este poderio todo, fácil de construir pontes, edifícios, plásticos e utensílios, como podem os consequentes extras daquele grito, aponto aos celulares, nem de sangue azul, nem cigarro de palha, moradores nos hangares, não saberem que o sol e o vento são energia, o mar é alimento, a língua é meio mundo e a lealdade é o passe para a fidalguia? E é com isso tudo que movem moinhos d`água que rodeiam toda a fonte do próprio grito. Este que é mais que generosidade, é uma evidente necessidade de um novo grito.

A FÁBULA DO JUIZ

No passado
Da mão andante
Escapa a flor
Ela paira
No vento
Invisível
Como a dor
Não, não há dor!
Saudade sim
Amor é tudo
Não tenha pena
Tenha calor
Perto estou
Tenha à frente o REI
Tenha, RAINHA, tenha!
Porque sei
Que morro de amor
Por ser seu
Verdadeiro
Amor

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

AINDA QUE GAGÁ O VELHO DA TORRE ENSINA

Na sua posição, fique aí, na sua posição. Haverá murmúrios que virão por verem suas mãos pousadas sobre os joelhos. Alguns caminhantes que passarem à sua frente te verão como a frente toda de um exército inteiro. Os idealistas o terão como ícone da expressão. Nós somos independentes dos executores, mas os executores dependem dos idealistas. Debaixo dos seus olhos seus entes testarão suas antigas habilidades de competição, esquecendo apenas que competia sem intenção. Conquistadas as medalhas, antes, todas elas não eram gravadas, mas já estavam registradas as vitórias em comunhão. Digo com firmeza que sustente mais algum tempo neste seu posto. Fique aí, firme. Poderá parecer que as condições te limitam, mas lembre que seu trabalho ditam as condicionantes do que é ilimitado. Isto é seu suor filosófico. Tem o mesmo peso que a martelada de um ferreiro. Continue. Um ou outro te dirá que a filosofia é vã. E você dirá que é rica, vã e pesa como um instrumento qualquer. Por fim depois de algum tempo levante e siga. Rumo à maresia que te isola das malícias. Faz visita à casa da vida aquática entre ilhas. Viva dentro de um navio. Desembarque em um belo porto, fixo, pronto, esta é a sua posição.

FUNÇÃO

Eu me pareço com você
Um ser orgânico simples
Com desapego sobre monetários
Mas utente dos minérios que existem
Receptor do sangue que nos dá afeto
Talvez com sorte por ter nascido nesta casa
Creio que a vida quis que assim fosse
Contudo todo mundo nasce com honra
O que de fato é um conceito complexo
Mas com autoconhecimento isto se torna certo
Nem por isso é falta de humildade ser teimoso
Poder fazer complexas teorias de ensino e política
Num posto sentado, tranquilo e ileso dos perigos
Criador de textos nobres só por causa do destino
Perto das batidas árduas que constroem edifícios
Estas posses perpetuam aos descendentes vindos
Serve tanto ao presente inteligente afirmativo
Como se houver futuro, que não será interrogativo

LIÇÃO DO QUINTO IMPÉRIO


Eu espero que a chuva caia
Com tanta força bruta
Que demonstre às crianças
O poder da execução

Gostaria ver de perto o rosto
Da beldade protegida equidistante
Ao saber que moro longe
Bem pertinho dos trovões

Quando vejo algum ratinho (humano)
Orelhudo, branco, zonzo e leve
Tenho pena dele, pois, por causa
Da patada do leão

É por isso que respiro e falo brando
Mexo os dedos e suplico aos anjos
Dos relâmpagos no horizonte altíssimo
Corram as nuvens e esqueçam o pranto

Pois o mando é de natureza régia
Quando grita forma o povo alerta
É ao mesmo tempo medo e crescimento
Do estrondo que cativa a audiência

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

FLECHA

O velho caderno amarelo encontra a fina ponta da tinta
Quando a irmandade acompanha desvendar novas trilhas
O topo no centro do chacra da minha coroa emana brilho
Por causa do sol majestoso que ilumina nossas vidas
A fronte da minha testa forte é cruzada e benzida
Porque a reza diversa do colar de esferas é simples
Meus punhos almejam espadas de luz como velas
Pois na terra escondida revelo tesouros magníficos
As líricas poesias impulsionam as paixões antigas
E os materiais decoram com beleza os casarões
Quando elevo o olhar para o céu estrelado delicio
Sinto falta do horizonte marinho quase todo infinito
Mas encontro razão cabisbaixo ao pensar que nasci amante
Sendo assim sou ciente que os desejos me seduzem a todo instante
Então peço ao destino que a chuva beije a terra e encha os rios
Sorridente e harmônico porque o tempo propõe-se eternizar os dias

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

D`ARC D`EUROPA

Por causa do som do seu reluzente presente
Ouço esperança em todo refrão consequente
Por mais que o embalo seja de um barco distante
O eco do seu nome é o que mais me faz fascinante

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

A ESPOSADA

Vem primeiro que a corja enfeitada
É justamente o fogo na palha
Que deixará uma boa sequela
Parece tristeza mas é puro consumo
Pensam em fragmentos abstratos
Enquanto revelo as estradas do Mundo
Ouvi mil vezes, ouvi, calma
Respondo o oposto com revolta
Porque essas horas passam
E se não faço, as forjas param
Não vigora nada, inexiste muito
Pois baú graúdo é aquele aberto
Onde afloram gamas de ritos
Com poderio de invadir o peito
Sem causar efeito de mau juízo
Mas sim gosto da prova da felicidade

sábado, 17 de janeiro de 2015

CRÔNICA NA CERTA

Quanto mais bobeira fizeres
Mais bobo(a) serás
Com toda educação
Me perdoem os palhaços
Eles se esforçam
Para fazerem parte da corte
Até têm piada
No picadeiro
Óh, Coliseum
Essa nota que te apresento
É para me dares um papel
Tola(o)
Boa noite
Para mim a cerveja é doce
Por causa do amargo
Da sua maldade podre

O ATO

Se vê
Pronto
Destinado
Como a água que escorre
Pelas cachoeiras
Pois nada se parece com a caixa
Nem a negatividade absurda
Ora, o não, não seca nem molha
Dama
Perto eu vigoro
Contínuo
Como Mundus Partum
Que é visto como a Criação do Mundo
De histórias como essas
Então trate te situares
O meu reflexo é ileso
Porque ocorre no tempo
Como o rio na água, navego
Sorrio
Frente a uma mancha no rosto
Que conhece quem vive à sua frente
Mas prefere ser espectante
E só dança porque move a vista
Sobre quem te quer
Pensa que somente vivo só?
Enganasse
Ora essa, eu só, descanso
Trabalho agora mesmo
Mesmo só
Mas vivo
E agora apenas vivo
Tenho um plano
Para o seu sim
Eu sou o dono
De qualquer tempo
Até o fim

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

LIGA

Era um sonho
Eu partia do Porto
Por um rio fino
Onde só cabia uma canoa
Mas eu remava
E chegava em Lisboa
Bem na margem
Na beirada
Muita gente
Muitas casas
Eu desci da minha barca
Coloquei a vestimenta
Só calcei uma chinela
E na janela do horizonte
Vi um rio grande
Uma ponte
E um portal
Real

OIÇA (OUVIR)

O trem apita para avisar que vai passar aqui na frente
Quem tiver pratinha que corra logo, bem antes
Pouse numa linha para selá-la e aguarde
Mas quem não tem pratinha reclama da demora
Do trem que também transporta a bauxita das minas
Com apito também avisa que é possível imitá-lo em companhia
Digo, em companhia de amigos que em frente a estação, dos correios
Reúnem vozes, drinques e instrumentos sem espaço para o medo
Com abertura a qualquer "nêgo", principalmente às damas
Que a altas horas não se vêem, repousam nas camas, talvez acordadas
Mas, se lá no centro a Maria fumaça me conceder um grito diferente
Eu sem qualquer metal no corpo levo ao dente um sopro quente
E com olhos vivos mergulhado em êxtase por fazer parte disso
Entrego o nosso som proibido das noites e o incenso das árvores distantes
Até o delirante pensamento de estar em todas as partes de uma pirâmide

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

A DECLARAÇÃO QUE O VELHO DA TORRE CHOROU

Quando cada ou qualquer desenho meu realçar o décor do seu coração quer dizer que realmente vivemos juntos no mesmo espaço. Para mim é tão simples como elaborar uma única letra ou ponto fazer-me presente e constante ao seu lado. Pois nos dois hemisférios já constam bibliotecas cheias desses ícones o que se estendesse cada obra seria como flutuar com um transatlântico pelo oceano. Se a minha riqueza é variada, espalhasse, um tanto mundana com mesmo tanto misteriosa e oculta. Porém o fruto vigoroso de um amor intenso é o melhor gozo terreno, é o maior espólio possível de ter. Enquanto vivermos e juntos estivermos é certo que a água da fonte mais bela transborda.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

SOBRE AS LINHAS

Sabe sim que eu vi
É impossível conter pensamentos
Saiba que expressar é um tipo de trabalho
Que não para já faz tempo
Esse tipo de escrita tem causa e motivo
É o tal poder que te digo ter você
E ter você como fiel é ser fiel
É mais que sorte, é efeito
Tudo que segue será muito positivo
Pense bem, bem feito
Como pode assim alguém
Fazer a outro alguém
Mesmo ao longe
Sentir tão bem?
Com poder
Aparentemente externo
Mas acima de tudo interno

CARAVANA DALVA AGAHATA

Quem vem? Ver quem? Dormir aonde? Comer o quê?
Vou pela Estrada Real qual Santiago de Compostela
Tenho a rota nas mãos e um formigueiro nos pés
Para registrar paisagens e escrever os sentimentos
Comportar viril status e declarar amor intenso
Assim começa a minha revolução na Pátria
Numa estrada negra, branca e amarela pelo sol
Pisando a terra chão, ouvindo os ecos do coração
Essa é minha proposta e basta um passo apenas
Prosperar sabedoria, produzir para te ter amante
Porque o que move é uma paixão constante
Que aviva a cada dia a nossa maravilhosa existência

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

RARA LUZ

Para com palavras cortejar a bela dama
Que é rosto do cerrado de olhos d`água
Necessária ponte pois estou na mata atlântica
Seu passado vem sereno, vem das índias
E eu nascido de uma tríplice oceânica
Sê feliz por essa heterogenia em genes
É tendência ter saúde e a família aumenta
Se um pingo de consideração valer a pena
É certo que fundo o castelo com pilares novos
Onde dentro bem faremos a terceira joia branca

domingo, 11 de janeiro de 2015

GIN

No belo horizonte de ondas gerais
Revelam desejos valentes que imperam
Os sonhos expostos no xadrez mais terno
Ouvinte, parelha na sala pequena da pausa
Diante do intenso texto e a pinga de café
Meu bem tenha dó dos maus de espírito
Não lhes consta beleza alguma sequer forçada
Quiçá momentos de clareza quando dormem
Confiai nas horas, elas seguem, as cavalgue
Eu te peço uma mão para erguer o pilar da união

CATITA

Eu te diria ao pé do ouvido o que verdadeiramente sinto
Demoraria uma vida inteira para você aprender o que sei
Por isso um toque nos lábios acelera e aumenta o calor
Há dias que levo uma flauta mas hoje eu portava um anel
Por não saber se fico ou se vou me apresento e despeço
Como Pessoa eu quero que me leiam sem saber quem sou
Eu já assumi a morte como sucesso e a vida como aventura
E sou imensamente grato aos que me suportam com amor

sábado, 10 de janeiro de 2015

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

DA SÉRIE: ÓIA PROCÊ VÊ / BÃO PRA DANÁ

Tudo começa com um pé carregado de goiabas
É uma árvore grande, branquela, cheirosa
Depois, pela estrada, cê vê um monte de pastos
É ali que está o outro ingrediente provindo das vacas
Da goiaba se faz goiabada
E do leite o queijo minas
Aí, cê corta um pedaço de um
E junta com uma lasca do outro
O doce mistura com o soro salgado
Aguça a saliva que enche e extasia
É conhecido como Romeu e Julieta
Eu prefiro a Julieta
Mas é só nessa hora que eu como o Romeu

O CASTIGO DO REI

Viva!
Porque tudo que fizer valerá um dia
Valerá por tempos depois da vida
Sonhe!
Porque seus sonhos são realidades
E a realeza dos seus sonhos é estonteante
Ame!
Porque seus desamores virarão árvores
Onde pousarão pares de ases para a evolução
Lute!
Porque suas vitórias mudam
Ajustam as falhas da direção
Peque
Porque sua desculpa agrada o criador
E serve de molde para as correções
Sofra
Porque a felicidade é ilusória
E assim está isento das prisões da dor
Morra
Porque a morte te renova sempre
Para continuar esta Tradição presente

ELA É TODA BELA

Toda pedra vale a base
Todo amigo sabe o bem
Todo gato preto é sorte
Toda lua dorme nua além
Todo não é sim de longe
Todo encontro some
Toda semana acaba
Todo anel encaixa
Tudo é nada pra mim

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

UM LADO SÓ

O fundo do meu olho esquerdo está vermelho
Porque o tatâmi que recebe minhas costas gira
Enquanto conhecidos amontoam em almofadas
Diretrizes não diferem liberdade de anarquismo
Abalam os que oram e matam os que brincam
É em silêncio que se bebe o vinho tinto sozinho
De boca fechada se alimenta com pão o espírito
É tampando os ouvidos que suporta aos gritos
E de braços cruzados que se engana o inimigo

RALLY

Veio ao longe sem obstáculos
E na minha mão retardatários
Eu te vi!
Eu te vi?
Eu te vejo em toda parte
Na insônia da minha ânsia
No museu da minha juventude
Nas palavras que escrevi
Nas que apaguei e não esqueci
Nestas mesmas que leu e fingiu que não entendeu
Se acostume
É assim com todo elemento plutônico
Gero por querer uma reação platônica

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

DOM KISS HOT E SANTO PANÇA NO BRASIL (I)

TRECHO DE: DOM KISS HOT E SANTO PANÇA
*
Pança explica para Dora Té, que Dom queria vê-la a todo custo naquele exato momento. Mas como ela estava de mau humor, trancou-se no quarto e negou. Ele então ameaçou partir como um foguete em erupção.
* *
Ele ameaçou voltar porque faz parte da natureza dele
Porque do lado de lá tem uma malta à sua espera
Nas ruas os músicos loucos procuram quem lança
Nos centros os azulejos eternizados querem novos traços
Nos montes as rotas peregrinas engessam as marcas dos passos
No frio o sangue do seu amor ilhéu, peninsular e romano aguarda
Até na corte que arregala cada vez mais os olhos debaixo da capa
Nos rios que ganham mais vida por causa dos seus desafios
E os cavalos que ele viu de longe relincham só porque ele pensou montar
(...)
O QUE DOM FALARA A DORA TÉ PELA PORTA
*
Dom era um homem bravio. Tinha um orgulho atrevido porque era seguro consigo. Além do mais, Dom, tinha fé e toda essa peitoral arrebatadora era abençoada pela humilde posição que ele servia a Deus.
* *
Vou me embora agora
Há outras mulheres que me querem
Farei sons até o sol raiar com meus amigos
E planejarei uma nova Catedral para aquela que se casar comigo
Vou a Santiago de olhos fechados guiando pessoas do mundo inteiro
Depois chego até ao pé do polo norte para beijar os pés do meu herdeiro (a)
Porque não há ninguém nascido com um aro invisível e tão claro como o meu
Ao mergulhar nos rios os peixes vencem as barreiras para continuarem o seu ciclo
Todos lusitanos e árabes que eu ver serão tratados e escovados para o meu Rei
JESUS CRISTO

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

QUEM É O GIGANTE?

Depois que o gigante acordar ele tem que ver televisão. Qualquer canal. Qualquer telejornal. Alguns anões perseguem este meio tecnológico informativo. Dizem haver manipulações, conspirações, dramatizações. Não pode ser mentira o que se vê. Nem ânimo, nem folias, nem santos, nem reis. O gigante, depois que acordar tem que ver TV. Ele ficará boquiaberto com o que se vê. Ele deverá levantar-se, convocar sua equipe, começar a caçar os crachás no topo desta pirâmide de poderios democráticos inúteis, limpar as carnes podres que infectam os rios e esbravejar para que o sistema de luz e água deste tempo moderno funcione para os seus filhos. Ele deverá chamar a armada para apontar seus canhões aos palácios e casarões onde discutem qual barril irá pra cave de quem no exterior e tomara que não derramem enquanto movem. Porque se isso acontecer creio que o gigante fechará as portas do jardim e colocará uma rolha no fundo do mar. Que seja impor para ensinar que a troca anual dos formatos plásticos dos celulares não serve mais que um livro, seja mesmo digital, lido enquanto descansa ao sabor de uma conversa ao vivo. É que o tamanho do gigante é continental. Ele é responsável por muita gente. Os seus planos são maiores que as partes lembradas de todos os sonhos. Ele existe, dorme, acordará a qualquer instante. Mas, quem é o gigante?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

BÔAS DO VALE

Compreendo perfeitamente os abismos do planalto
Estou de volta, cheguei a exatamente um ciclo completo
Não conseguia mais suportar viver de quarto em quarto
Ainda mais com o fim dos vínculos sem elos de renovação
E com o atraso do órgão do sistema onde sou apenas um neurônio
A verdade é que quero subir mais um degrau no estacionamento dos navios
E se não conseguir terei que elaborar um novo plano aqui mesmo
Mas, veja bem, gostaria que prestasse bastante atenção nesta parte agora
Chegou a hora de vestir a camisa para realçar a tatuagem da bandeira
Levar o escudo ao peito e entrar de vez nas batalhas que já estou a travar
Isto quer dizer que fico a disposição da Terra, das forças dos rios e do mar
Junto com um Partido novo para integrar de corpo e alma, desde já
Não quero mais ficar oculto com artes soltas numa biblioteca de ideias
Afinal existem jornais maiores e as lentes demorarão um pouco a captar
Acredito que posso contribuir nas vertentes do Meio Ambiente e da Cultura
Tenho alguns papéis pintados de biologia, ecologia, ambiente, território e educação
Como diria Renato Russo, vivo com meus pais, e o almoço é uma delícia
Visto as mesmas roupas de a 10 anos mais algumas peças do segundo irmão
Dependente do sistema familiar “leonino” por assim dizer, sem ferir e sem feridas
E como uma batata quente em busca de algum emprego logo e uma menina bonita
Por isso, me leve para o norte do Brasil, para o oceano da Amazônia
Apresenta-me a floresta densa, os grandes bichos, um rio da bacia, os índios
Quero ver a cultura nativa, deixa-me mais perto da linha do Equador, por favor
Deixe-me conduzir a bússola deste time, já estou pronto para a partida

O VELHO DA TORRE

- Mestre, não se assuste com o que vou lhe perguntar. Eu posso ganhar dinheiro com as coisas que faço?

- É claro que não me assusto. Sou seu mestre.

- Mas, Mestre, posso ganhar dinheiro com as coisas que faço?

- Pode.

- Só?

- Você não se contenta com o poder. Vá, abra aquela janela.

- Sim. Pronto. Agora está aberta.

- Vê aquilo tudo lá embaixo? Não custou nada, não foi você quem fez e quem fez só ganhou a imortalidade.

- Mas é verdade que todos renascem, até os que não buscam riquezas e vivem sem pensar em recompensas.

- Pois é, são como eu. Tenho você ao meu dispor e tudo o que você ganha serve para quem não tem ensinamentos.

- Então é melhor continuar querendo assim.

*** TEXTO CRIADO EM 2008 (CINEMA NOVO NO VELHO MUNDO)

– Introdução à intenção de exposição nunca adotada por qualquer CIA a não ser só por mim

Em fevereiro 2005 eu retornava ao arquipélago dos Açores e na ilha de São Miguel permaneceria até abril de 2008. Neste tempo integrei à equipe de pesquisadores da Universidade dos Açores num projeto limnológico de mitigação dos impactos biológicos ocorridos nas 3 maiores lagoas que na verdade eram as bocas dos vulcões (Sete Cidades, Fogo e Furnas) cheias de água. Consegui uma câmera emprestada com o departamento e fiquei logo incumbido de registrar a pesquisa. Entretanto filmei mais que biologia, pois queria registrar todo aquele espaço em que vivia. Afinal estava no meio do Oceano Atlântico Norte português, longe de casa e cercado por mar, céu, fogo e uma terra verde. Este é um “filme” completamente amador onde constam razoáveis tomadas e quadros arquitetônicos, paisagísticos e tem uma trilha sonora um tanto rara, (do meu gosto) por se tratar de música tradicional portuguesa antiga, centenária, diria eu. O fato de querer trazer à tona este vídeo e tentar apresenta-lo simplesmente em festivais como o CINEPORT é porque, eu, provindo de uma cidade berço da história do cinema brasileiro, sem rodeios, onde foram realizados os primeiros filmes de Humberto Mauro, pai do cinema brasileiro, poderia ser eu um filho escarrado também no enquadramento de movimentos? Tenho para mim uma máxima (frase) de outro cineasta brasileiro, Glauber Rocha, que também adotou a frase de outro cineasta, Paulo César Saraceni, ambos estudados quando descobrimos outras dezenas de artistas na escola e pela cidade de Cataguases. A frase de Saraceni era “Uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” que para Glauber era “Uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” e para mim é: “Uma câmera na mão mil ideias na cabeça”. Os 20 minutos de registro visual que se seguem são da Ilha de São Miguel, Açores, conhecida como Ilha Verde, com um clip final do trabalho científico que participei como estudante de biologia marinha. TPN ***


http://youtu.be/zmLtNrG4M-4

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

LUSOS / ORDEM DE JESUS CRISTO / TEMP.DE.FRANZ

O Clero precisa manifestar terrenos para o povo
As Forças precisam escolher entre honras e política
Enquanto aqui o calor castiga sem dó nem piedade
Sorridente, pois não há alternativas ao viver num oásis
Sorte a vossa a terra estar muda, seminua e nada crua
O mar é que me procura e já preparo para ver cetáceos
As construções abrigam moradores que procuram portos
Os construtores deram carta branca desde que não sujem
Escritores, pintores, pensadores não residem facilmente
Porque aguardam os profetas messiânicos prestes a acordar
De um Templo iluminado por uma só vela que guarda a espada
Feita do suor que a palma abraça o punho de Nosso Senhor

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

ARIANO SCHMITT

De ciganos expulsos a emigrantes ingleses
De família festiva a dentes de leões ferozes
De uma pele branca e um sangue negro
De uma fé na bondade vencer a maldade
De uma vontade de chorar por sorrir tanto
De uma pessoa que ama sem ser amado
De um início filtrado para a pureza do fim
De um ganho absurdo só por pensar assim
De uma ida certa sem volta para a partida
De um tropeço tosco já com tenra idade
De uma espera por colo, certa, toda pra mim

SE EU NÃO TE VER

É porque tinha que ser
Porque o barco afundou
Ou a nave despenhou
Mas, seu pai era um andarilho
Um mestre desde nascido
Um crente em Deus de coroa
Um marinheiro das montanhas
Tocava instrumentos de ouvido
Os extraterrestres amavam sua língua
Fazia muitas outras coisas sozinho
Montava cavalos só por ler livros
Cantava mantras e preces em transe
Tinha um punho forte e um grito bravio
Onde surgiam formas e desapareciam inimigos
Não tinha nada mais que você primeiro
E antes de você, ele tinha a vontade de ter você
Ele sabia que essa vida era a continuação de outra vida
E a próxima vida será a continuação desta vida
Por isso, mesmo que você não existisse
É certo que ele se encontraria consigo
Bem no centro da matriz de tudo
Onde agora está bem vivo e diz: SEJA FELIZ!

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

EIS A FACE DA TEMPESTADE

Começa com pingos maiores que qualquer pratinha
Faz mini rios de enxurradas com barquinhos de folhagens
Pois as árvores são imensas, são imensas árvores
Tomba outros caules que pretendem ser arbóreas
Lava em três minutos qualquer pessoa antes imunda
Limpa esse cimento quase estéreo pois a força é bruta
É uma coluna d`água porque o sol é rei e toma as gotículas
Suspende a massa toda numa dança ao som de raios e trovões

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

DESEJO O ANO NOVO

Poder continuar a travessia
Sobre a terra e o fogo
Frente a água e envolto em ar
Humilde no aprendizado de cada dia
Orgulhoso por repassar o que quiserem
E ter melhores condições de vida
Isto engloba matéria e espírito
Autonomia para poder realizar
Criar quem vive já e mais, procriar
Desejo ver o campeonato carioca
Continuar filosofia, ciências e letras
Dormir mais à hora certa
Comer manga a escorrer pelo queixo
Rever conhecidos e executores
Amores e mestres antigos
Desejo ser exatamente o que sou
Para ter condições de andar convosco

UM POUCO MAIS

Os Titãs me pediram pra reclamar da sexta
Andam a tentar me sugar em pé
Não finjam que confundiram com açúcar
Não tem sabor propriamente
O menino da estação já havia me dito
Abaixe os preços, por favor, está tudo muito caro
Pensava ele que era só levantar os braços
- Ei, arranja-me um copo, se faz favor!
- Sim, um minuto, mas tem que pagar dois
(¨¨)
- Aonde você estava mesmo?
- A questão é: Estão pensando que eu sou quem?
- Isso complica um pouco mais. Quem é você mesmo?
- Alguém capaz de revelar a extorsão
- Isso quer dizer que você é...
- Suuu... Silêncio. Um pouco menos, irão querer mais

domingo, 28 de dezembro de 2014

***CUBA***

Se O Rappa canta “me abrace e me dê um beijo” e ainda diz “faça um filho comigo”, por que é que eu não posso olhar bem dentro dos seus olhos? E aproveitando o embalo. Se Leonardo Da Vinci, por que é que eu não posso dar dois? São questões que afirmam a liberdade.

ALMANAQUE

O Ministério não prende ou trava ideias próprias
200 pés de sumo procriados que gerarão pratas
Quando pisa a uva para o sustento desde tempos memoráveis
Onde a alegria hoje é o compasso da reunião amiga forte
E não há espaço para tristeza, nem cheiro dela, ninguém chora

sábado, 27 de dezembro de 2014

POUCO É ALGO MUITO IMPORTANTE

Crônica:

Eu tinha 15 reais
Ainda tenho menos
Podia dizer que não havia
Se não houvesse de fato
Mas há, ainda
Para constatar que suporto
É um comportamento humano
Digo mais
Cheio e diversificado de sentimentos
Ora pois,
Fácil como a língua cárnea abençoada
Misteriosamente oculta é o páreo
Porque de uma cidade à outra
Há estradas onde morros são corações de copas


*** Para os filhos vindouros***

PAR

REINA
*
Dama
O tempo passa
O paraíso é uma dádiva
Pousa e encanta a nobre gente


REI
*

Pede
Tem
É

ESPERA

Enquanto para uns é dia
E para outros é noite
Para o sábio é igual
Supremacia, pois, vigente

CEDIM

Viver com o que acabou
É tempo consciente
Atento como um ápice
Mais sonoro que a manhã

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

JUIZ FEROZ

Eu discuti sobre imagem. Só acho justo alguém reclamar a sua própria imagem exposta ao Mundo quando é isento por completo da participação do Mundo moderno. E vejam bem, um dos símbolos da modernidade é o espelho. Se uma pessoa se olhar no espelho e não gostar do que vê de quem é a culpa? Outra ferramenta é a fotografia. Pessoas têm nome e imagem. Estas duas coisas são apenas coisas banais. O que devemos realmente pesar é a essência, o que emana do som, das letras, as consequências das opiniões, o resultado das ações. Para hipócritas ditos radicais, lembro uma radical entre os radicais do passado. Faço assim uma homenagem à “Princesa do Brasil e quase Reina Del Plata, Carlota Joaquina”: NÃO OLHEM PARA MIM!

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

PARA A PINTA

Eu vi o trem passar e ele não levava passageiros
Eram muitos vagões de carga com ou sem bauxita
De onde eu vim o comboio levava muita gente
Demorava uma hora e quinze minutos para percorrer 55 km
A pé eu já fiz este percurso em 3 dias, acredite
Uma vez entrou no trem uma família humilde
Todos pagam o passe por mais que o pica* não veja
Era a primeira vez que o filho mais novo sentia a máquina
Eu ajudei dizendo onde era a sua estação de destino
Tive tempo de dizer que aqui em Minas há Maria Fumaça
Como eu disse todos pagam o transporte público
Custa o necessário para evitar greves ao máximo do salário mínimo
O que quero dizer é que meus amigos ganham a raspa do petróleo
O suficiente para terem gasolina “y otras cositas más”
Eu só tenho moedas velhas, um euro novo e quinze reais desbotados
Contudo vale uma viagem ao meu lado, seja de trem, a pé ou a cavalo
É fascinante. É como um almanaque inteiro vivo. É uma maturação instantânea
______________
*pica: Apelido popular dado ao fiscal do trem que utiliza um instrumento que fura (valida) o papel da passagem

ALÁ SARA O MAGO

Resguardo as lembranças passadas dos dias e noites muito mais amenas que agora exceto quando em outra estação extrema de empedrar gotículas do pulmão que os ares me trouxeram liberdade como um forasteiro visível aos olhos dos que esperam algo mais que a passagem igual aves migradoras à beira rio comedoras de cristais internos dentre ossos das cabeças dos cinquenta peixes que estudei para aqui trazer um curso velho percorrido desde o mar até o fim do mundo (Finisterra) onde imagens registradas são expostas nos botecos e os papos recheados de mistérios logo após um breve trago poderoso e um cheiro de beldade feminina misturada à poesia sem qualquer vírgula que pousa ou pausa até ao ponto inicial.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

CREDO

A insônia existe em todo lugar
O inseto tem que picar logo na palma
A unha que incha a carne do canto por causa do dente
O desenho rabiscado de uma criança sadia
Abstratos que um dia decorarão paredes imensas
O arqueado horizonte de barrancos da cidade de cresce
Ora penso que os centros com nomes bloqueiam a cultura
Mas os dias passam seguindo o ofício da arte constante
Quando o calendário programa pompas nas horas marcadas
É que a glória tem duas faces apenas
Uma é a vida
Outra é a morte
Ambas conquistas

sábado, 20 de dezembro de 2014

ISTO É SÓ UM CONTO DE RÉIS

Dizem que certa vez o Imperador Dom Pedro vinha a cavalo de Minas Gerais para São Paulo quando num súbito de emoção desenfreada por conta do seu fardo acumulado desembainhou sua espada às margens do Rio Ipiranga e gritou: INDEPENDÊNCIA OU MORTE! De acordo com o seu prestígio era óbvio que sua comitiva armada não daria a morte a Dom Pedro, mas sim a chave do seu destino guardado, naquele momento entregue ao povo como um presente incomparável. Um caipira que ouvira o Dono daquilo tudo esbravejar esta máxima consequência teria dito a seguir: Se um pedaço desta terra agora também é minha, meu Dom Pedro, plantarei neste terreno alimento para que a sede saciada por este brado seu seja para a realização do seu desejo em criar um Mundo Novo. O Brasil é exatamente isto, um conto de reis.

II - PRIMEIRO

MOVIMENTO VERDE

ATO DE* HUMILDADE * No Fear *

PARA SER

Eu
Preciso
Tempo
Barco
Redes
Anistia




I - PRIMEIRO

MOVIMENTO VERDE

ATO DE MOLHA

Regênstato Prescritas Grandificata 

(Criação de Palavras Baseado em: http://www.munduspartum.blogspot.com.br/ (* * *)

R.P.G.

A chuva não me mandou embora
É vero que o éter emanado como a maresia
Das árvores quando as copas estão cheias, são abrigos
Corredores entre as pontes onde a maestria delicia a existência
Que é a mesma equivalência em outros córregos e personagens
Dizem que a obra é forte pois resiste simples e absolutamente
Equânime conjunta abstratamente eloquente se assim quiserem
Vento traga vapores d`água deslocados pelo o astro
Campos férteis alimentam toda gente, querem mais mapa?
A sequência do passado é isto pois, voltará emergente

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

MINAS

Mãe,
Quê que isso, véi (a)
Que alho "potentoso" é este?
Levanta até defunto
Sorte de quem casar conosco
Saberá o segredo da receita
Fiz um mexidão na madrugada e fiquei até bobo
É por isso que vem tanta gente aqui em casa na hora do almoço
Briga comigo não mas eu tenho que dizer
Minhas “férias” vão acabar
E eu devo ir para algum lugar
Sem nunca esquecer você, Sra.
OBS.: Ai, que perigo!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

DEZTEM

A minha musa é muito jovem
É conhecida como princesinha da mata
Mas eu também tenho uma praga
Que é a mais velha conhecida minha
Não falarei sobre ela, pois desanima
A minha musa paira na memória
Cruza o mar atlântico onde também mora
É a Dona das palavras que retratam minha casa
Digo, minha terra agora onde piso quieto
Onde as bordas das calçadas tem poeira acumulada
E os rios de outrora eram límpidos com patacas
Hoje as pontes quase caem aos pedaços
E o centro mais parece a central da Índia
Com cavalos entre gentes e gramíneas
Nada errado porque a idade da menina que espero
É a mesma idade resistente das florestas
Sim, misturo rio, terra, verde e mar
Pisos, tetos, gentes, cores, portos e cantares
Tudo isso porque o tempo voa e vence as miragens
Realidade pura essa guerra que é viver amando assim

MANUAL D.K.

Educação cívica
Para honrar a bandeira hasteada no Palácio, em consulados e representações
Para arrepiar a alma com a letra do hino que ajuda a valorizar-nos
 
Educação ambiental
Para louvar a nascença nossa num mundo abundante de vidas
E saber que um papel no chão sufoca um peixe com mil ovos no rio

Educação no trânsito
Para respeitar andantes ancestrais
Para distinguir velocidades, massas e chegar vivo a tempo

Educação física
Para estimular a união e a competição sadia
Para vencer o ócio e a química das drogas

Educação religiosa
Para contar histórias que são causas desta história agora
Para matutar de onde vem a cisma de achar que somos donos de alguma coisa 

Educação sexual
Para explicar que o corpo é o inventário mais precioso para a procriação
E a saudável manutenção do corpo conjuga-se à saudável maturação da mente

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

ANGU

O movimento verde dorme. Acorde!
O mestre disse que acabou. Comece!
Eu sou um bandeirante. Calma!
E venho com a Lusitânia. Forte!

Sentei à mesa cheia
Falei com toda gente
Pesquei atualidades
Estou na nova era

Será impactante
Se os vivos veteranos
Passarem vista fina
Filtrarem a arte buena

Reúna no Colégio
Na mata há um prédio
Projetado ha muitos anos
Por reais conjuntos belos

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

VOLTA OLÍMPICA

Nos extremos da cidade chegarei com pés e fé
Além das vias que cortam pastos entre morros
Toda reta lisa leva rápido ao fim da estrada
Mas as curvas exemplares dos maestros de artimanhas
São retardos positivos para serem renovadas fidalguias
Andorinhas que em dupla pousam na janela da cozinha
Deve ser um bom sinal que o verão virá em companhia
Toda obra que tremula deixam linhas d`águas protegidas
Valorosas simetrias que perpetuarão por um só dia
Um só dia que significa o conjunto de um tempo desta vida

domingo, 14 de dezembro de 2014

Uma forma de entender a vida é a concentração
Acredite em mim, eu sei fazer meditação
É sempre importante dizer a verdade nos olhos
O que eu não poderia deixar de fazer era tentar e fiz
Pois deixava claro justamente aquilo que você não quis
Sinceramente não busquei tanta gente como a ti, mas tanta gente sim
Tava na cara que tentava algum diálogo mais próximo além das mãos
Ora, você conseguiu que eu fosse embora sem beber um copo caro a mais
Ou pensa que inações não têm reações? Em qualquer plano há!
Não pense que sou apenas um vagabundo flautista e poeta, sou um pouco mais
Não compito com o meu sangue, sequer desejo mal aos meus inimigos
Constato que buscam mais o meu bolso furado do que o meu rosto comum
Amargos revoltos voltam-se contra os seus, os meus, eu não posso deixar
Melhor seria se não houvesse complexidades e sim intimidades entre nós
Já somos crescidos, temos a língua, os olhos, a boemia e a simpatia
Somos amigos por assim dizer e eu estou de braços abertos pra você
Contudo, respeito, toda vez que quiser esta distância maior, assim terá
Por fim, terá você poder, dizer que não tem ninguém para eu voltar

CAUSO: O RIO, SÃO PAULO EM MINAS

Oh Chiquim, você viu que o cavalo de São Paulo comeu poeira por causa dos cascos do cavalo do Rio? Em Minas, os cavaleiros argumentaram se aquele feito dos cavalos do Rio poderia atingi-los: “Será que ele fará o mesmo conosco?” Vou te contar o que o condutor da minha carruagem viu, pois em suma ele vivenciou o passado e este está entendido. Vamos lá, ele me disse mais ou menos assim: “Moço, eu vivo no campo desde quando nasci mas de vez em quando vou pro mar. Acabei de chegar de lá agora pouco e já estou com bicho de pé no dedo da mão. Meu envolvimento com os cavalos – que antigamente eram chamados de bestas – é feito de forma inteligente. Sou seguramente tão adaptado ao assunto que lido até com as ferraduras. Inclusive, hoje, quando reunimos a malta mais uma vez, cada um mais forte que o outro soube que o cavalo de São Paulo não vencera qualquer corrida em 2014. Isto fez com que o cavaleiro condutor se calasse e concentrasse nos treinos. Na verdade seria conveniente que o cavalo perdedor comesse rações com alto teor vegetal nutritivo para se fortalecer e entrar na próxima corrida. Tenho certeza que depois daquela poeira nos olhos o cavaleiro de São Paulo não saberá nem quantas patas tem o seu cavalo. Digam a ele que tem a mesma quantidade de patas que o cavalo do Rio ou de Minas. Depois de algum treino, seria interessante convidarmos o perdedor a vir ao nosso haras (eu costumo chamar de campo onde se domam os selvagens). Oferecemos-lhe um banquete para se fartar. Depois que o bucho estiver cheio perguntaremos se conseguirá montar. Na verdade será um teste para saber se a culpa é do cavalo ou do cavaleiro. Caso seja do cavaleiro, ele será rebaixado a limpador do mato fermentado. É preciso fazer isso para garantir o espetáculo ao público de vários escudos e bandeiras vindos de longe já acostumados com este rito. Caso a culpa seja do cavalo, então, o cavaleiro será incluído tal como outros saudáveis já estão. É um esforço necessário para não se perder pessoal com algum alcance, pois se ficarem à margem o olho grande cresce e isso é uma chatice danada. Enfim. Leve este comunicado com muita seriedade. Se ele não quiser aceitar o nosso convite sugiro então o seguinte: Quando o seu cavalo correr pelo lado esquerdo e não houver nenhum movimento por estas bandas saiba que o núcleo se passa pela direita e é ali que as coisas mais extraordinárias acontecem”

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

OUVINTES ENTRE MUROS

Se você pensa que o que me agrada é fachada supérflua
Não sabe da beleza interior e perde-se na essência do poder
Esta frente fraca não passa de uma simples vista de olhos rápida
Mindinhos ao alto, gargalhadas forçadas e pregas assadas
Não entram na mala que tenho abarrotada de natas
Pelo contrário, essa farsa, de uma panela sem pressão
É notável, faz-me são e tão ileso quanto a fortaleza de um farol
Como a calheta delta inversa de um corguinho raso e a linha do trem
Estes são cenários que ajudam situar a posição da formiga e do leão
Por isso, brother, saiba de uma vez por todas que Pisa cairá
Mas eu não

CHECK

Basta um trago de absinto em fumo
Para parlare italiano astuto
Onde sorrisos sonoros são graves
Absurdos goles de encanto
Venham noites calorosas, venham
E mulheres encantadas belas
O seu sopro flui em terra
Seu cajado pousa junto a raiz
Onde as conchas que venero
São do rio da Imperatriz

QUINTAL

Quinta quentinha
Tinha telhados no céu
Quadra, nuvens e chuva

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

IGUAL

Parece que o sal é mais salgado
Que o doce é mais melado
Parece que a parede do quarto é sem cor
Que o calor impera à noite
Parece que as calçadas são portuguesas
Que as crianças brincam sempre
Parece que as montanhas são ondas do mar
E o ofício é bem maior que caminhar
Mas é tudo a mesma coisa
E isso prova que a grandeza do abstrato
Tem uma mania de iludir o fim da história

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

É PARA MIM

The Lions seguros
Na mesa estendida
As garras medonhas
Preparam as feridas
Um solo tamanho
Estratégias em vista
Você viu o anúncio?
Eu vi na TV que educa ativa
O plano começa no mês 1 (um)
E passa indiretamente por mim

domingo, 7 de dezembro de 2014

POSTO

Depois de escrever quase tudo que senti
E desenhar o que aflora agora em mente
As paisagens são retratos de lugares quentes
E os cômodos deste templo em construção
Trazem a sensação de uma missão cumprida
Que foi fazer a respiração comum da vida
Sem frutos que me enchem as mãos de níquel
Ou celuloses coloridas de animais silvestres
Mas em paz ciente do contínuo ofício de existir
Para colher mais do que posso ter para distribuir

sábado, 6 de dezembro de 2014

GENTE GRANDE

O moleque que falou comigo na estação
Pediu que eu baixasse os preços das coisas
Mas eu acabara de chegar à terra gigante
Com as conquistas que ele perguntava quais eram
Disse-lhe muitas, como as tivera e até as próximas
Despedimos e ele fora para longe sorridente
Enquanto esperei mais uma hora a minha frota

COLOQUE SEU PANDEIRO NA CABEÇA

Entregue ao povo
Com os quadros em mãos
Seco após enfrentar o destino
Por descobrir o segredo de Nachiketas
Que é preferir estudar a vida
Sem se preocupar com a hora da morte
Assim ganha prados floridos de polens
E centenas de cabeças esculpidas em pedras
São as dádivas que enriquecem a alma
São as bases os tesouros das pirâmides

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

DEUS EXISTE

Ei, Mestre de Avis
Eu vou a cavalo pra moldar as pernas
O meu grito de guerra tem pulso
É um silêncio profundo forte
Que ecoa como estrondo de trovão
Acalenta presas e garras de leões
É um drama pensar que o tempo nos vê
E comédia saber que não vemos o tempo passar
A evolução tende a olhar para o céu da via
É ali que se encontra a verdade absoluta

COMITÊ A PRECE

A parte fechada da porta aberta
Me mostra uma gama de rotas fantásticas
Galadoardo de orbes como em Santiago
Neste tempo da Era dos jarros de Aquárius
As consquistas vindouras serão perpétuas
Pois a força da matéria me mortifica
E a força do espírito me salvaguarda

domingo, 30 de novembro de 2014

ÓSCAR

Dois rios d´ouro
Meia pataca brilhante
Voa el niño cantante
Um vinho assado te espera
E um frango tinto, kalispera

MANTRA PARA KALI

Steep
Paradise sky
Son of Marthe
Psychedelic abstract
Da garra da Malta que é brava
And estopim de muchos deseos
Como sete cabeças the dragons, colores
PARABRAHMAIARASITASITAGAHATA!
 

AUM

QUÊ CÊ TÁ FAZENDO?

Posso lembrar seguramente de que pelejo desde novo comunicações sobre o Meio Ambiente. Contexto que é definido como toda ocorrência de seres...