*
Essa chuva desejada
Que agora cai aqui no vale
Sacia as árvores barbadas
Que não mexiam uma palha
Incha córregos e riachos rasos
Fétidos de descargas humanas
Essa chuva tem que ser filmada
Fotografada, congelada, contemplada
Lembrada contra o calorão
Esse calorão quando volta
Esquenta os pés e a cabeça
Dilata tetos e paredes das casas
Capota mais que cachaça
Banha os órgãos dos que ralam
Da pena dos septuagenários
Essa chuva temporária já foi embora
Não amedronta mais os ribeirinhos
Evapora o resto, nem poças ficam
E descansa os motores das máquinas
*
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
MOIÔ
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